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Insulina inalável para controlar a diabetes começa a ser comercializada neste ano aqui no Brasil

A previsão de lançamento nas farmácias de todo o Brasil é outubro de 2019.

                                                                                                                                                            Foto meramente ilustrativa

Aquelas famosas picadinhas desconfortáveis causadas pelas injeções costumam incomodar, principalmente para quem tem diabetes tipo 1 ou tipo 2 que precisa aplicar insulina duas, três, quatro ou até mesmo mais do que cinco vezes ao dia para controlar a doença.

Mas essas agulhadas podem não ser mais necessárias, pois uma insulina inalável em breve vai ser lançada aqui no Brasil. Com isso, quem precisa injetar diariamente insulina no sangue, vai poder fazer uso de uma opção mais confortável, de fácil manipulação e mais eficaz de se medicar.

Este tipo de insulina foi aprovado nos Estados Unidos em 2014. Mas só neste ano ganhou aval da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ser comercializada e consumida aqui no Brasil em forma de pó para inalação.

Vantagens

Esse medicamento oferece diversas vantagens em relação a tradicional insulina injetável, visto que a absorção pelos pulmões acontece de forma mais rápida. Uma delas é ação quase que instantânea, ou seja, enquanto as injeções podem levar cerca de uma hora para começar a fazer efeito, a insulina para inalação entra em ação em apenas 10 minutos. Além disso, o efeito causado pela forma inalável é mais curto, permanece no organismo do indivíduo por até 1h30. Já no método tradicional leva cerca de 5 horas.

Os pesquisadores orientam que o medicamento deve ser administrado preferencialmente antes das refeições para evitar que a glicose no sangue aumente demais durante a alimentação.

De acordo com o pesquisador Freddy Goldberg Eliaschewitz, Diretor Clínico do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Israelita Albert Einstein, quando a ação da insulina leva muito tempo para passar, o paciente pode ter uma queda nos índices de açúcar, pois o medicamento continua agindo mesmo depois de o organismo ter absorvido os alimentos. “Por um lado, se o paciente aplica a insulina injetável antes do almoço e o medicamento demora a agir, o nível de açúcar sobe muito no início da refeição. Muitas vezes, a comida foi ingerida, mas a insulina nem começou a agir. Por outro lado, se o efeito da insulina demora a passar, o paciente pode sofrer uma queda de açúcar mais adiante. A absorção dos alimentos já terminou, mas a insulina continua agindo.”

Insulina

A insulina é um hormônio liberado pelo pâncreas com a função de manter os níveis de açúcar no sangue em equilíbrio. Assim, quando um indivíduo para de produzir essa substância ou quando o organismo dele não é capaz de utilizá-la de forma eficiente, é um sinal de que esta pessoa está com diabetes. A partir daí é necessário o uso de insulina sintética para fazer com que os índices de glicose fiquem normalizados. Portanto é muito importante que os diabéticos façam o tratamento adequado. Mas infelizmente a maioria dos 15 milhões de brasileiros, que convivem com a doença não conseguem mantê-la sob controle. Cerca de 90% dos pacientes sofrem de diabetes tipo 1 e 73% sofrem com o tipo 2. Para Eliaschewitz “metade dos pacientes não controla a doença por falta de conhecimento do diagnóstico. Entre os que sabem do diabetes, metade não vai com regularidade ao médico. E mesmo os que vão, mais da metade não toma os devidos cuidados”.

A prova disso é que entre 2010 e 2016, mais de 406 mil pessoas morreram em decorrência das complicações causadas pela doença. Com essa nova forma de administração da insulina, pesquisadores esperam controlar a doença.

Segundo informações do  Ministério da Saúde, o diabetes do tipo 1, geralmente, surge na infância ou adolescência e não tem a causa bem definida. O que se sabe é que trata-se de uma doença crônica hereditária. Já o tipo 2 é mais frequente em pessoas adultas e está relacionado diretamente ao sobrepeso, ao sedentarismo e à má alimentação.

Para Freddy Eliaschewitz, o Brasil vive atualmente uma “pandemia de diabete do tipo 2 a reboque da pandemia de obesidade”. Segundo ele, no futuro o país pode viver uma pandemia das complicações causadas pela doença, “que são penosas e custosas de tratar”, como: o glaucoma, problema nos rins e disfunção erétil.

Previsão de lançamento

Os estudos com o novo medicamento foram feitos somente em adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2. Portanto, a princípio ela não é indicada para menores de 18 anos.

É importante ressaltar que antes de começar a fazer uso deste tipo de medicação, todos os pacientes devem fazer exames para saber se possuem ou não problemas respiratórios capazes de atrapalhar a absorção da insulina. Quem sofre de enfisema pulmonar, asma e outras doenças crônicas do pulmão são contraindicados ao uso. Pessoas que fumam também não devem utilizar o medicamento inalável.

A previsão de lançamento nas farmácias de todo o Brasil é outubro de 2019. O valor da insulina inalável ainda não foi divulgado.

Redação por Jenneffer Dutra

07/07/2019 – 10h39

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