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Menino autista pede que amigo, também autista, aprenda a falar em carta de Natal

Pedido feito para o Papai Noel aconteceu em São Paulo (SP). Desejo do menino viralizou nas redes sociais.  | Foto reprodução: Facebook

Ah, o mês de dezembro. Chegou aquele período em que as crianças de todas as partes do mundo resolvem fazer uma autoanalise sobre o comportamento ao longo do ano, na esperança de receber neste período um belo presente natalino. Com certeza, você fez isso na infância e, claro, não dá pra negar que a maioria dos pedidos esta concentrado em produtos tecnológicos. Tablets, smartphones, brinquedos sempre lideram as estatísticas de produtos mais procurados no Natal. No entanto, existe uma avalanche de pedidos tão simples que nenhum dinheiro do mundo consegue comprar.

Um pedido simples e significativo 

Vem de São Paulo um dos pedidos natalinos que vem comovendo e sendo alvo de elogios por parte dos internautas. Nesta publicação, um menino autista faz um pedido ao Papai Noel para que um amigo, que apresenta a mesma situação dele, aprenda a falar para poder conversar com ele. O pedido do menino Rafael, de apenas 8 anos para o seu colega Rafael, de 9 anos, foi compartilhado por Carina Dias Silva, mãe do Rafael.

A técnica de enfermagem publicou o seguinte texto: “E esse foi o pedido de Natal do meu filho Rafael, que é autista. Ele pediu que seu amiguinho, João, também autista, porém não verbal, falasse. Isso é para mostrar ao mundo que o autista também ama, tem amigos, sentimentos e vontades. Mesmo sem falar, o Rafa entende tudo o que João quer dizer, pois ele fala com os olhos e o Rafa entende com o coração“.

É claro que essa mensagem tão simples e tão singela gerou milhares comentários enaltecendo a atitude do menino.

“A Ana, irmã do João, viu a cartinha no mural da escola e me ligou muito emocionada. Os dois participam do mesmo projeto para autistas que chama PIPA, do Hospital Nipo Brasileiro. E também frequentam a mesma escola. Então, passam o dia juntos. Eles se conheceram no início desse ano e são muito amigos. O João não fala, mas o Rafa entende tudo o que ele quer. É incrível“, explicou Carina.

Ela afirmou também que, no papel de mãe, ficou muito orgulhosa com a atitude.

“É uma mistura de sentimentos que nem sei falar. O Rafa está tendo um desenvolvimento tão maravilhoso, até pouco tempo, ele não tinha noção de muita coisa e, hoje, ele faz coisas que me surpreendem. Estou muito feliz de saber que ele tem esse coração tão bom“, finalizou.

O Autismo no Brasil e no Mundo 

Até o momento, não há um dado específico do Transtorno do Espectro do Autismo aqui no Brasil. No entanto, um relatório divulgado em 2018, pelo Centro de Controle de Doenças mostra um aumento significativo na porcentagem de crianças com TEA nos Estados Unidos: 1 para cada 59 crianças. O número anterior era de 1 para cada 68 (referentes aos anos de 2010 e 2012) — um aumento de 15%. O  órgão, porém, alerta para a variação desses números dentro do próprio país (números maiores foram encontrados onde os pesquisadores tinham acesso a mais registros escolares).
Os números continuam apontando que a incidência em meninos é quatro vezes maior que em meninas e não varia de acordo com grupos étnicos, raciais ou socioeconômicos. Foram pesquisados 11 diferentes locais, com registros de hospitais e de escolas, considerando apenas crianças nascidas em 2006 — considera-se apenas criança com 8 anos de idade para se minimizar possíveis enganos de diagnóstico. Nos Estados Unidos crianças são diagnosticadas com autismo, em média, após os 4 anos de idade.

No mesmo patamar que cresce o número de crianças diagnosticadas com a doença, vemos também exemplos de não existe limitações para se pedir o bem geral. Nem que seja em uma singela carta para o Papai Noel.

 

Redação por Adriano Dias

16/12/2019 – 10h05

 

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