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Pesquisadores brasileiros criam fórmula para combater mosquito da dengue com partícula de amido de milho e óleo de tomilho

Amido de milho e óleo de tomilho são a base de uma cápsula capaz de armazenar e liberar compostos que matam as larvas do mosquito. | Imagem meramente ilustrativa.

 

O amido de milho é um ingrediente curinga muito usado na culinária para o preparo de cremes. Mas pesquisadores descobriram que essa farinha também possui diversos benefícios, não só na culinária, e um deles é combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela urbana. Isso mesmo! Outro ingrediente muito utilizado no preparo de comidas é o tomilho. E assim como o amido de milho, o óleo feito a partir desta erva funciona como um composto larvicida letal para o mosquito da dengue.

Por meio da combinação desses dois compostos, cientistas da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram uma partícula biodegradável capaz de armazenar e liberar compostos que matam as larvas do mosquito quando entra em contato com a água. Além de serem substâncias baratas e abundantes, o amido de milho e o óleo essencial de tomilho têm a vantagem de não causam mal à saúde humana, portanto podem ser usados em vasos de planta, pneus, garrafas e entulhos que podem servir de criadouro para o Aedes aegypti. De acordo com os cientistas, estudos epidemiológicos indicam que 50% dos focos do mosquito estão em pequenas poças.

“Conseguimos obter uma partícula que se comporta exatamente como os ovos do mosquito. Enquanto o ambiente está seco, ela se mantém inerte e conserva o agente ativo protegido. A partir do momento em que entra em contato com a água, começa a inchar para permitir a liberação do larvicida”, explica a professora Ana Silvia Prata, coordenadora do estudo.

Depois de três dias, segundo a coordenadora do estudo, quando os ovos do mosquito começam a aparecer e inicia a fase larval, o composto libera quantidades letais de larvicida na água.

A partícula de amido de milho tem a função de envolver o óleo de tomilho, que é liberado aos poucos quando entra em contato com a água.

“Enquanto a água estiver com a concentração do óleo, ele não será liberado. Secou e molhou de novo, aí que vai liberar mais óleo”, explicou a professora.

De acordo com Ana Silvia, a partícula foi projetada para ela ser seca e durar bastante. Testes mostraram que mesmo após um ano, elas funcionaram.

“A gente acredita que, sem molhar, a partícula pode ter uma vida de prateleira bem alta. Em relação à aplicação, temos uma ideia de que ela possa durar mais que cinco ciclos de chuva”, contou a coordenadora do estudo.

Testes

O grupo testou outros ingredientes que também são sustentáveis, como o extrato de jambu, antes de chegar ao amido de milho e ao tomilho. O critério de desempate foi o custo que é cerca de 15 vezes menor. Por conta disso, ela poderia ser produzida em larga escala e distribuída para a população, no valor de R$30 o quilo. Sendo R$ 15 a matéria-prima e R$ 15 o custo de produção.

Partícula não tóxica

Silvia ressalta que a quantidade de óleo de tomilho concentrado no composto é muito baixa e, por isso, não é tóxico para a saúde dos animais e seres humanos, caso eles venham a ingerir acidentalmente.

Vale ressaltar que apesar da partícula ser feita com produtos encontrados na maiorias das casas e em supermercados, ela não pode ser produzida em casa, pois a eficácia e as características não seriam alcançadas sem o auxílio de métodos feitos em laboratório.

“O óleo essencial de tomilho é um material altamente disponível, vendido comercialmente e representa apenas 5% da composição da partícula. Os outros 95% são amido de milho, que é muito barato”, pontuou a professora.

Redação por  Jenneffer Dutra

13/08/2019 – 17h13

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