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Pesquisadores brasileiros identificam hormônio que impede infecção pelo novo coronavírus

Por: Lohrrany Alvim
12/01/2021 – 11h25
A descoberta também ajuda a entender por que há pessoas que não são infectadas ou que estão com o vírus e não apresentam sintomas da Covid-19. (Foto reprodução Internet)

 

Após um ano da descoberta do novo coronavírus, cientistas seguem investigando formas de combater o agente infeccioso e procurando novas terapias para os pacientes doentes. Agora, uma equipe de pesquisadores brasileiros descobriu que a melatonina, produzida no pulmão, pode agir como uma barreira natural contra o vírus da Covid-19. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

 

Como funciona

A melatonina atua como um “muro” contra o Sars-CoV-2, impedindo a expressão de genes codificadores de proteínas de células como os macrófagos residentes, presentes no nariz e nos alvéolos pulmonares, e as epiteliais, que revestem os alvéolos pulmonares e são portas de entrada do vírus. Isso significa que o hormônio impediria a infecção das células do sistema respiratório e, consequentemente, ativaria o sistema imunológico.

“Constatamos que a melatonina produzida pelo pulmão atua como uma ‘muralha’ contra o Sars-CoV-2, impedindo que o patógeno entre no epitélio, que o sistema imunológico seja ativado e que sejam produzidos anticorpos”, ressalta Regina Pekelmann Markus, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenadora do projeto.

O estudo ajuda a entender por que há pessoas que não são infectadas ou que estão com o vírus, detectado por teste do tipo RT-PCR, e não apresentam sintomas de Covid-19. Também possibilita o uso da melatonina administrada por via nasal – em gotas ou aerossol – para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos.

“Essa ação da melatonina do pulmão também deve ocorrer com outros vírus respiratórios, como o da influenza”, conclui a coordenadora.

 

Pesquisa

Os trabalhos com melatonina, muito conhecida como o hormônio do sono, foram iniciados nos anos 1990. Após estudos com roedores, Regina Pekelmann Markus comprovou que o hormônio produzido à noite pela glândula pineal, no cérebro, com a função de informar o organismo que está escuro e prepará-lo para o repouso noturno, poderia ser produzido em outros órgãos, como no pulmão.

Com base na certificação de que a melatonina produzida no pulmão altera as portas de entrada de partículas de poluição, a pesquisadora e outros cientistas decidiram avaliar, agora, se o hormônio desempenharia a mesma função em relação ao Sars-CoV-2. Outra ideia é utilizar o índice de melatonina pulmonar como um biomarcador de prognóstico para detectar portadores assintomáticos.

No entanto, para comprovar a eficácia contra o novo coronavírus, será necessária a realização de uma série de estudos pré-clínicos e clínicos. Os resultados do trabalho, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, foram publicados na revista Melatonin Research.

 

Testes

Para comprovar essa hipótese, os cientistas analisaram um total de 455 genes relacionados à Covid-19.

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