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Pesquisadores criam carroça elétrica para ajudar catadores com dificuldades físicas

Por: Lohrrany Alvim
20/08/2020 – 16h47
Os veículos são equipados com um motor abastecido na tomada comum. (Foto reprodução Internet)

 

Você já parou para imaginar a quantidade de horas que os catadores passam recolhendo materiais recicláveis todos os dias? E a distância percorrida por eles? Além do peso dos materiais, muitos ainda enfrentam dificuldades físicas. A idade avançada também é um dos problemas apontados por eles. No entanto, mesmo mais velhos e com doenças graves, eles não pararam de trabalhar durante a pandemia de Covid-19.

Com o objetivo de ajudar catadores nestas situações, pesquisadores do projeto Carroças do Futuro, da ONG Pimp my Carroça, desenvolveram e vão fornecer carroças e triciclos elétricos. Os veículos serão equipados com um motor abastecido na tomada comum e pode chegar a 5 km/h.

De acordo com a gestora do Carroças do Futuro, Adriane Andrade dos Santos, a ideia surgiu do artista plástico Mundano, conhecido por pintar carroças de catadores. A intenção é fazer com que o catador tenha seu trabalho reconhecido e valorizado pela sociedade.

“É cuidando da ferramenta de trabalho das pessoas que elas começaram a mudar. Começamos nosso projeto em 2019 em parceria com Instituto Clima e Sociedade. Estudaram iniciativas anteriores que buscavam colocar motores em carroças e nos reunimos com engenheiros elétricos, engenheiro mecânico, especialistas em energia solar, especialistas em gerenciamento de resíduos, estudantes e fizemos seis protótipos”, ressalta Adriane.

Com isso, uma maquete foi criada a partir das melhores ideias de cada protótipo. Em seguida, foi firmada uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para que eles pudessem construir um projeto técnico.

Para levar a iniciativa adiante, os catadores também tiveram voz. Após conversas com os mais interessados pelo projeto, técnicos concluíram que o melhor para as grandes metrópoles seria a carroça elétrica. Já para as cidades litorâneas, o triciclo foi escolhido, visto que o terreno é mais plano.

Ainda de acordo com a coordenadora do projeto Carroças do Futuro, as carroças já estão prontas, mas seguem em fase de testes pelos catadores em laboratório. Depois, eles passarão a usar nas ruas para avaliar onde há falhas e indicar melhorias. Os catadores serão escolhidos pelo grau de vulnerabilidade social e número de dependentes na família.

 

Tecnologia

As carroças e os triciclos serão equipados com rastreadores por satélite, gerador de energia solar para carregar celular e caixinha de som via USB. Os veículos também terão farol dianteiro, retrovisor, buzina, pisca alerta e adesivos refletores. A carroça foi projetada para carregar até 500 kg e atingir velocidade máxima de 5 km/h, enquanto o triciclo, 300 kg e podendo passar dos 30 km/h.

Um dos pontos altos do projeto é o valor que será gasto por catador durante o uso. No caso dos triciclos, o custo de cada carga de 8 horas é de cerca de R$ 0,40, o que gera uma autonomia de 40 a 80km, dependendo do peso da carga e do piso. Isso significa que, em um mês, o catador deve gastar entre R$ 10 a R$ 12 se carregar o motor elétrico diariamente. Bem legal, né?!

Segundo a coordenadora de projeto, a intenção é fazer doações em comodato (contrato em que ocorre o empréstimo gratuito de coisas que não podem ser substituídas por outra igual, como um imóvel) para que os catadores não vendam o veículo. O contrato será de um ano, podendo ser renovado.

 

Aplicativo brasileiro

Não é a primeira vez que a ONG Pimp My Carroça aparece por aqui. Você se lembra do aplicativo Cataki? Ele conecta catadores de recicláveis a pessoas que querem se desfazer de resíduos. Pelo aplicativo, o usuário encontra um catador credenciado próximo de sua casa e negocia direto com ele um valor para a retirada do resíduo. O mais legal é que os catadores não precisam ter um smartphone para estar na plataforma. Um número de telefone para receber chamadas é o suficiente.

O Cataki é um app gratuito. Além disso, 100% do dinheiro gerado nas coletas ficam com o catador. Ou seja, o app faz o papel de uma ponte entre quem quer reciclar e quem trabalha com reciclagem.

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