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Projeto universitário está controlando o vírus do HIV em paciente há mais de um ano

Primeira etapa da pesquisa realizada pela UNIFESP mostra avanço significativo no combate a AIDS.

Por: Adriano Dias

07/07/2020 – 09h45

O paciente foi diagnosticado com o vírus do HIV há 8 anos.
O paciente foi diagnosticado com o vírus do HIV há 8 anos.

 

Desde os anos 1980, cientistas do mundo todo estão em uma constante batalha para encontrar um produto eficaz no combate ao HIV. Vacinas, remédios… várias combinações foram testadas e, até o momento, nenhum medicamento altamente confiável surgiu para frear a doença que interrompeu a vida de diversas pessoas.

Apesar das frustrações, os cientistas nunca deixaram de trabalhar para encontrar um tratamento que possui uma grande chance de ser um grande avanço na luta contra o vírus. Ainda na fase experimental, um projeto de tratamento elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo está apresentando resultados positivos no combate ao vírus HIV em um paciente há 17 meses. Esse resultado mostra que há mais de um ano o vírus não está circulando pelo corpo do paciente. No entanto, mesmo com prognósticos positivos, os cientistas brasileiros preferem não falar em cura da doença.

Nesta pesquisa, o paciente foi diagnosticado com o vírus do HIV há 8 anos. Esta pessoa, que optou por não se identificar, permanece sem os sinais da doença pelo corpo mesmo sem tomar o coquetel de remédios há um ano e meio.

O projeto é liderado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, que coordena os trabalhos na Unifesp e estuda o HIV desde os anos 1980.

 

Como foi feito o processo?

Os cientistas brasileiros elaboraram uma vacina produzida com o DNA do próprio paciente. O anticorpo apresentou uma capacidade de controlar o organismo do paciente a encontrar as células infectadas e destruir uma a uma. Com esta ação, o vírus HIV foi destruído por completo. Os cientistas explicam que este processo é como se o anticorpo fizesse o sistema imunológico reagir e eliminar as células infectadas, nas quais o fármaco não é capaz de chegar.

Para o jornal Correio Braziliense, Ricardo Sobhie Diaz detalhou que a vacina de células dendríticas é extremamente personalizada já que é fabricada a partir de monócitos (células de defesa) e peptídeos (biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos) do vírus do próprio paciente. O tratamento utilizado pela Unifesp é feito paralelamente com uma combinação de outros remédios.

Ele explicou também que a equipe intensificou o tratamento ao utilizar três substâncias no estudo, além da elaboração de uma vacina.

Iniciado há sete anos, o projeto recrutou 30 pessoas que iniciou precocemente o tratamento contra a infecção pelo HIV. Eles possuíram uma carga viral indetectável há mais de 2 anos, sem a transmissão da doença. A pesquisa buscava “acelerar” o tratamento que já estaria fazendo por estas pessoas.

Apesar dos resultados, a intenção da equipe de Ricardo Sobhie Diaz é seguir com a pesquisa. A próxima etapa vai contar com a participação de 60 pessoas e vai incluir mulheres como voluntárias. Este novo processo vai começar no momento em que a pandemia de Covid-19 estiver controlada.

Veja também: Brasil fecha acordo com Universidade de Oxford para produzir vacina contra Covid-19

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