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Vacina contra o câncer de mama mais agressivo tem sucesso em teste com camundongos

Por: Lohrrany Alvim
19/11/2020 – 14h35
O estudo teve como alvo o câncer de mama triplo negativo, mais frequente entre mulheres jovens. (Foto reprodução Internet)

 

Muito se fala sobre a possível vacina contra a Covid-19 diante da pandemia que o mundo está enfrentando. No entanto, outras doenças seguem no radar de cientistas empenhados em encontrar uma cura. É o caso de pesquisadores dos Estados Unidos, que afirmam ter obtido sucesso nos estágios iniciais de desenvolvimento de uma vacina contra um tipo específico de câncer de mama.

O estudo ainda está na fase de testes em cobaias, mas os cientistas dizem que a técnica já foi capaz de destruir as células cancerosas e também de criar memória imunológica, fornecendo proteção contra o ressurgimento do tumor.

Conduzida pelo Instituto Wyss, da Universidade de Harvard (EUA), em parceria com o Instituto do Câncer Dana-Farber, a pesquisa foi publicada na revista científica “Nature Communications”. O estudo teve como alvo o câncer de mama triplo negativo, que representa 15% dos casos de câncer de mama no mundo. Esse tipo é mais frequente entre mulheres jovens, considerado o mais agressivo.

 

Vacinas

O termo “vacina” é usado ainda que elas sejam aplicadas em situações na qual a doença já está instalada. Os medicamentos contra o câncer estão em desenvolvimento desde 2009.

O principal objetivo dessas vacinas é coletar moléculas das células cancerosas e usar nelas substâncias que permitam que o corpo as reconheça e as destrua. Esse procedimento tenta driblar o principal mecanismo de ação do câncer, que é justamente impedir que o corpo identifique o crescimento desordenado das células do próprio paciente como uma ameaça.

No caso da vacina desenvolvida pela Universidade de Harvard, os pesquisadores buscaram fazer com que o medicamento tivesse a efetividade da quimioterapia e a eficácia de longo prazo da imunoterapia. Para quem não sabe, quimioterapia é o tratamento que utiliza medicamentos para destruir as células doentes, enquanto a imunoterapia auxilia o próprio sistema imunológico do paciente a identificar e combater o câncer.

 

Testes

Os cientistas implantaram uma matriz de medicamentos do tamanho de uma aspirina sob a pele dos camundongos. A vacina foi aplicada perto de um dos linfonodos, que são pequenos órgãos do sistema linfático que atuam na defesa do organismo. Por conta da dupla estratégia (quimioterapia e imunoterapia), a matriz com a vacina levou em seus componentes dois tipos principais de droga.

Uma delas é capaz de incentivar o crescimento e a reunião das células dendríticas, tipo de célula do sistema imune responsável por iniciar a defesa do corpo contra uma ameaça. Além de reunir essas células de defesa, a vacina transportou uma droga usada na quimioterapia, que conseguiu agir no local e matar células cancerosas.

Assim, a “explosão” dos tumores liberou material que as células dendríticas reconheceram e passaram a identificar como uma ameaça ao corpo, levando a uma ação de defesa de longo prazo.

 

Avanço da pesquisa

Os cientistas afirmam que a técnica tem vantagens em relação a outras pesquisas com vacinas contra o câncer porque os estudos anteriores dependiam que os desenvolvedores já tivessem acesso ao tipo de molécula presente no tumor, os chamados “antígenos específicos”. De acordo com os pesquisadores, atualmente o “catálogo” com os antígenos ligados a cada tipo de câncer é pequeno.

Inicialmente, a pesquisa está voltada apenas para o câncer de mama triplo-negativo. A equipe segue explorando a combinação de quimioterapia com vacinas contra o câncer e espera melhorar sua eficácia antitumoral para outros tumores de difícil tratamento. A expectativa dos pesquisadores é que mais estudos permitam que a vacina avance para testes pré-clínicos e, futuramente, possa ser testada em pacientes humanos.

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