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A BIBLIOTECA NÃO É PRISÃO DE LIVROS (Gerson Monteiro – Jornal Correio Espírita)

Em junho de 1979, a Revista O Médium, órgão da Imprensa Espírita de Juiz de Fora, publicou o artigo abaixo de nossa autoria, cujo objetivo era o de estimular o funcionamento das bibliotecas instaladas nos Centros Espíritas. Mais tarde, por iniciativa do então presidente da Federação Espírita Brasileira, Francisco Thiesen, o referido artigo foi transcrito para a Revista Reformador, órgão doutrinário da FEB, do mês de maio de 1980. Por acreditar que este artigo “vale a pena ler de novo”, em virtude da sua grande relevância e atualidade, estamos trazendo-o ao conhecimento aos leitores deste renomado jornal. Eis o texto na íntegra:

“Proferíamos uma palestra em um Centro Espírita, quando observamos a Biblioteca instalada em um armário de duas portas, próximo à mesa de onde falávamos, trancado por fora com dois grossos cadeados. Finda a nossa exposição, perguntei ao Presidente da Casa, quando nos conduzia até à porta de saída, o porquê daquele forte esquema de segurança para os livros. Ele nos respondeu, com toda a espontaneidade, que se tratava de impedir o desaparecimento de livros.

Diante da explicação daquele dirigente, aproveitei a oportunidade para lhe falar a respeito da chamada Biblioteca Aberta, onde os livros são colocados em estantes ou em prateleiras sem portas, de preferência no salão de reuniões públicas, possibilitando ao leitor escolher à vontade os livros de sua preferência. Lembrei-lhe, inclusive, que a atual técnica de vendas empregada nos supermercados é semelhante, e produz bons efeitos, porque promove a identificação do cliente com os produtos expostos, permitindo a livre escolha sem interferência de balconistas, gerando essa liberdade verdadeiro estímulo para o aumento de vendas.

NÃO A PRISÃO DE LIVROS

Tempos depois, aquele dirigente nos informou que a Instituição já havia adotado o processo de Biblioteca Aberta, por terem os demais diretores entendido a nossa sugestão; também, segundo eles, valeria à pena emprestar 50, 60 ou 100 livros, mesmo que o Centro viesse a perder duas ou três obras, pois essa perda seria compensada pelo resultado altamente positivo do ponto de vista espiritual, com o empréstimo de maior número de livros. Depois desse esclarecimento, arrematou o Presidente daquele Centro: “Afinal, o objetivo da Biblioteca no Centro Espírita é difundir o conhecimento do Espiritismo, e não servir de prisão de livros”.

É claro que, quando a Instituição possuir obras raras no seu acervo bibliográfico, deverá cercá-las de todos os cuidados e, nesse caso, sim, os cadeados devem funcionar.

SALA DE LEITURA

Caso o Centro disponha de espaço, pode até organizar uma Sala de Leitura para consultas internas. Aliás, a Sala de Leitura, a nosso ver, pode ser instituída mesmo sem a presença de obras raras na Biblioteca. Seria um convite ao estudo do Espiritismo, levando-se em conta que há quem não disponha de local adequado em casa para estudar, por motivos vários, como, por exemplo, ruídos e barulhos provocados pelo intenso tráfego na rua; familiares que assistem à televisão ou ouvem rádio com volume muito alto; e aqueles que, pelas suas atividades no lar, acabam esquecendo e não reservando um momento necessário ao estudo indispensável da Doutrina.

Desde que haja local e horário disponível no Centro Espírita, a Sala de Leitura nos parece uma boa sugestão. E mesmo que não haja sala disponível, o próprio salão de reuniões pode ser convertido em Sala de Leitura e, com a instalação da Biblioteca Aberta, não será sequer necessária à presença do bibliotecário, pois o próprio leitor pode retirar o livro à vontade. Seria preciso apenas um colaborador da Casa para abrir e fechar a sede do Centro, no horário previsto para o funcionamento da mencionada sala.

Será que não chegou à hora de libertarmos os livros espíritas aprisionados indevidamente em nossas Bibliotecas fechadas, cheirando a mofo de egoísmo?”.

De nossa parte, queremos registrar que, hoje em dia, muitas instituições espíritas já superaram essa idade das trevas. Bibliotecas estão sendo criadas, além das Salas de Leitura com livros expostos aos leitores e sem cadeados. Afinal de contas, a Biblioteca Espírita não é e nunca poderá ser uma prisão de livros, segundo a feliz conclusão daquele dirigente espírita “ex-carcereiro” de obras literárias…

Devemos informar ainda que o referido artigo foi inserido no livro de nossa autoria Espiritismo na Imprensa, publicado pela Editora do Centro Espírita Leon Denis.

Gerson Simões Monteiro

Vice-Presidente da FUNTARSO

E-mail: gerson@radioriodejaneiro.am.br

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